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Um poema de André Ricardo Aguiar, escrito no dia 15 de junho, em homenagem a Linaldo Guedes. O poema já foi publicado no blogue de André (http://andrericardoaguiar.blog.uol.com.br/), mas reproduzimos-o aqui, em homenagem ao nosso poeta.
Proverbial
O menor intervalo
entre um poema e outro
é um pássaro que insiste
em não existir
numa gaiola imaginária:
Alimentá-lo, dedo em riste
com promessa de vôo
ou chão, ainda que o céu
seja baixo, ainda que o azul
seja triste.
Mais vale o pássaro na mão
com o alpiste.
E um poema de Fernanda Nucci, em homenagem ao zumbi, codinome do nosso poeta Linaldo Guedes. O blogue de Fernanda: http://vermelhointenso.zip.net/
Zumbi baba,
Zumbi bambeia,
Zumbi belisca.
Zumbi penteia.
Zumbi chora
Zumbi ri,
Zumbi pensa q é zumbi
Zumbi tem coração
Zumbi tem sangue nas veias.
Zumbi, nem tem sono, mas devaneia.
Zumbi é blues, mas não é melancolia.
Zumbi fala com dedos.
Zumbi vomita textos
Zumbi é suco de pitanga
Zumbi brinca
Zumbi é adulto.
Zumbi é criança.
Zumbi zumbaia
Zumbi vaga, mas num é quilombo,
Zumbi cativa atiça,
Zumbi é bobo?