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À pedido de nossa amiga e fã Loba, iremos publicar mais um poema de sua escolha. Ela se sentiu lesada por ter escolhido somente um. (risos)
Carrossel de silêncio
meu filho fala sozinho
no meio das crianças
costuma brincar com ninguém
finge-se de gato
imita o cachorro
au
au
au
autista
(e o mundo finge que ele não existe).
Este poema tem pra mim um significado muito especial e particularissimo. Além disso, foi marco na minha relação com o poeta. Humanizou-o. Deixou de ser apenas ídolo e virou Ser capaz de um amor imenso e de abrir ao mundo este amor. (Loba)
Resposta do poeta Linaldo Guedes:
Loba, este é um dos poemas que mais gosto. Tecnicamente, considero-o quase perfeito. E no mais é pura emoção. E o mais interessante é que ele saiu de uma vez só. Meu filho tem fortes traços do autismo. É o ser que mais gosto no mundo, talvez a minha razão para estar no mundo. Então, um dia, estava no terraço lá de casa, lendo, e quando levantei a vista estava Vinícius correndo pela sala, cantando e conversando com a televisão e com ele mesmo. Na hora, saiu o poema. E, confesso, é um poema que mexe demais comigo. Tanto mexe, que resolvi incluí-lo em Intervalo Lírico, meu próximo livro. Tem tudo a ver com a proposta da obra.
Depoimento do fã e amigo Adalberto
Zumbi de fã-clube não é refresco não!
Adalberto dos Santos
Sou do tempo em que os poetas somente existiam nos livros. Não era fácil interagir com eles, trocar idéias por e-mail, vê-los responder comentários em blogs, essas coisas. O mais que podíamos era lê-los, sem nada além disso. Gostar, mas de forma gratuita, amável, sem correspondência. A única coisa para retê-los era o universo das entrelinhas do texto; o diálogo: na instância dos sentidos entre o leitor e o poema. Quem pensaria que um poeta fosse mais que palavras, e isso somente? Eu não, ingênuo leitor de sertãozinho bonito, para mim, durante muito tempo, poeta era só um nome.
Depois vi o contrário - poeta tinha um nome, sim, e uma existência. Estava comprovado naquele rapaz ali, magrelo, fumando como um condenado, tomando uma cervejinha no interior de uma mercearia e, às escondidas, cotejando o coração de uma jovem com as armas da poesia. Nome: Linaldo Guedes, em carne e osso (mais osso do que carne, diga-se de passagem, como hoje, né, Linaldo?).
Essa era uma época boa. Estava no ginásio, gostava de rock, tinha um cabelo meio punk e me mostrava um leitor cativo de literatura. Morava em Cajazeiras; menino sem riso e enamorado pela poesia. Linaldo, em João Pessoa, mas também de riso pouco; o máximo que tirávamos dele era uma nota entre o grave e o supergrave, um oi meio seco, numa oitava abaixo de nossa superficial timidez; olhares, os tinha somente para a namorada, a Rubeni, hoje esposa e mãe do Vinicius. Vejam: eu era só um menino. Linaldo, um rapaz que havia saído da terra natal e atravessado o estado em busca do sucesso profissional, seguindo sua vocação de jornalista.
[Inveja pura a minha. Também queria ser jornalista. O que eu não sabia era que nunca seria. Assim: de viver em jornal ou de ir atrás da notícia. Mas eu gostava da coisa do jornal. E melhor, achava fantástico ler e escrever; só podia querer ser jornalista mesmo.]
Pois naquele tempo Linaldo era o único poeta que eu conhecia, de contato, vendo assim, olho a olho. Minhas leituras eram muitas, mas os poetas sempre estiveram a milhas de distância. Se existiam era, como já disse, na carne da folha do livro. Dali não passavam.
E então eu soube do Poecodebar. Foi um espasmo. Poecodebar reunia jovens em torno de uma idéia: fazer poesia e divulgá-la.
Sensacional, era o que eu queria. E como já conhecia o poema, fiz assim: meus versos. Escrevia-os e depois rasgava; mas às vezes saía da toca e buscava o aval de quem já vinha militando na capital, trabalhando em jornal e escrevendo poemas com um grupo de outros aventureiros em plena João Pessoa, Linaldo Guedes.
Aí, vai, vamos indo. Um dia o Linaldo me aparece com um livro de poemas. De um seu cunhado e primo ouvi: Linaldo irá publicar o livro por competência e consciência do seu fazer literário.
Nesse indo, já era aluno da universidade, havia cortado o cabelo e dado um tempo no rock’n’roll. Lia um pouco mais do que antes, sabia falar dos livros; não era um só leitor de palavras. Ensaiei uma interpretação do que li nos Zumbis escutam blues e outros poemas. Do que escrevi, não estou certo se fui eu ou o poeta mesmo; ou se por ele tive a coragem de escrever. Lembro que na dedicatória dos Zumbis, Linaldo havia escrito: “Adalberto, que estes versos possam servir para o desabrochar do seu talento”.
De onde vieram as palavras? Do gesto de dizer assim: você também pode escrever, meu irmão, vai fundo. Eu acredito.
Bem, onde estamos hoje? Eu, sem poemas; ainda sem livros. Não os fiz, ainda não os publiquei. Mas escrevi muito já; aprendi e descobri que tenho algum talento; não para a poesia, especificamente, mas para a literatura. Linaldo, sim, foi além. Hoje o vemos editando um dos mais importantes órgãos literários do país, fazendo valer sua voz de artista e sua consciência de jornalista.
Não fosse isso, ainda está aqui. Conquistou a simpatia de uma turma nova que passou a conhecer sua poesia e lhe deu esse presente tão admirável, que é o blog do fã-clube. O primeiro talvez, no espaço virtual. Muito bacana. Muito importante. Muito bom para quem pensou ter nascido no século errado.
Olha aí, poeta, como diria alguém, zumbi no blog dos outros não é refresco não; e de fã-clube, pois... Parabéns, e a todos os envolvidos nessa idéia. Tudo pela poesia, então! Muita poesia mesmo! Abraços.
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Queridos fãs, já começamos a sortear o livro do Linaldo para os fãs aqui linkados. A primeira fã sorteada foi Maria José, a nossa querida mestra dos sonhos. Em breve ela estará recebendo seu livro em casa.