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Fico feliz de saber que meu irmão está se tornando um poeta famoso, tendo inclusive direito a um fã clube organizado.Ele de fato merece, pois desde menino sempre gostou de escrever. Lá em casa existia o jornal dos Guedes, sendo Linaldo o editor, repórter, redator, etc.Era na verdade um caderno, onde o mano registrava todos os fatos relacionados com a família. Todos depois queriam saber o que Linaldo havia colocado. Acho que começou daí seu interesse pelo jornalismo. Lembro também que a gente ficava disputando para ver quem pegava primeiro o jornal que meu pai costumava comprar. Os livros e revistas do nosso irmão mais velho eram lidos às escondidas, já que não tínhamos muita aproximação com ele. Aliás, nosso irmão Nonato já militava no jornalismo. Quando eu comecei em rádio em 1983 as pessoas só me identificavam como sendo o irmão de Nonato Guedes. Acho que Linaldo também passou por isso. Nosso pai não queria que a gente enveredasse pelo jornalismo. Por ele nós estaríamos trabalhando no comércio.Eu fui primeiro. Ficava só esperando fazer 18 anos para largar o comércio e seguir meu destino. Sem que meu pai soubesse arranjei meu primeiro emprego na rádio Tabajara. Estagiei por dois meses e depois assinaram a minha carteira. Na rádio todo mundo me achava parecido com Nonato. Ser irmão dele me ajudou a ficar por lá, embora eu não tenha em nenhum momento dito que era seu irmão. Eu queria conquistar o emprego pelos meus próprios méritos. Com Linaldo aconteceu a mesma coisa. Lembro que eu era presidente do sindicato dos radialistas e surgiu a possibilidade dele trabalhar na rádio Sanhauá, que estava sendo inaugurada. O mano foi lá pedir emprego, sem dizer que era irmão de Nonato, o mais famoso da família. O problema é que ele não tinha o registro profissional de radialista. Disseram que se ele conseguisse o registro, o emprego estava garantido. Minha mãe me procurou dizendo que só dependia de mim para Linaldo trabalhar na rádio Sanhauá.Na época a diretoria do sindicato lutava para não permitir que ninguém entrasse no rádio sem registro de radialista. Fiquei numa situação dificil, pois mesmo querendo ver meu irmão trabalhando, não podia dar a ele um tratamento diferenciado. A sorte é que o sindicato estava para iniciar o primeiro curso de Radialismo na antiga Escola Técnica Federal da Paraíba. Falei para mamãe que Linaldo fizesse o curso porque aí ele estaria apto para conseguir o registro profissional. O mano passou no teste de seleção e conseguiu fazer o curso. Tirou o registro de Radialista, mas depois descobriu que gostava mesmo era do jornalismo impresso. Tanto que está aí há muitos anos atuando na imprensa escrita. Tem um bom texto e gosta do que faz.
O fã e amigo André Ricardo presenteou Linaldo com este poema, num de seus aniversários.
Aniversários
Ao poeta e amigo Linaldo Guedes
Tens um rude e áspero dia dentro do poema.
Às vezes, folha órfã da lua.
Ou o branco da página,
pomar para incêndios.
Pois que a máquina lírica do peito desabe.
Para o talento de existir
- saldos negativos e mortes secretas -
há outros claros jardins
de mundos que há em ti.
Convém, pétala por pétala,
desfolhá-lhos
em bruscos aniversários.
http://andrericardoaguiar.blog.uol.com.br/