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A fã Marta, seus poemas preferidos e as palavras do poeta
Quando começamos com essa idéia (a escolha do poema por um fã), pensei logo em qual seria meu poema. Como é difícil escolher um só e como sou exagerada mesmo, escolhi logo três. Mas, não pensem que ficou fácil. Pois, gosto de tudo que Linaldo escreve.
Bem, ai estão meus poemas preferidos. Armadilha, Xerox e Celibato. Claro que Celibato é especial. Foi um presente lindo do generoso poeta.
Armadilha
ainda tive tempo
de fingir indiferença
aos teus olhares
tive tempo
mas não arrisquei
fugir ao círculo de fogo
que teus olhos desenhavam no calendário.
Xerox
Quero ser diferente, original
Mas como isso pode acontecer
Quando não consigo nem ser comum ?
Sou um ser raro
Fácil de ser encontrado
Em qualquer esquina
Em qualquer bar
Sou mais descartável
Do que a calça desbotada
Que uso
Quero ser original!
Mas não passo de uma xerox
Não autenticada de mim mesmo.
Celibato
quando olho tua boca
sinto como se estivesse a um passo
de caminhar entre cavernas sensuais:
espatifar minha alma tão farta
só para ter meus pedaços unidos em teus lábios
quando olho tua boca
sinto como se fosse um pássaro:
buscando o vôo para dentro
de tua língua
devoto, sem os pecados,
de tuas carnes.
Palavras do poeta Linaldo Guedes:
Marta, feliz aqui pelas suas escolhas. E interessante que cada um dos três poemas tem uma história diferente.
“Armadilha” está na primeira parte do meu segundo livro “Intervalo Lírico”. O livro, como já falei em meu blogue, é temático, contando a história de uma relação amorosa, a minha história com Rubeni. Segundo Antônio Mariano, o primeiro capítulo reflete a fase do encanto e é mais ou menos isso de que “Armadilha” fala. Da possibilidade de poder fugir a esse encanto. Mas ao mesmo tempo, da entrega incondicional à essa armadilha.
“Xerox” talvez seja o poema mais antigo, publicado no livro “Os zumbis também escutam blues”. Construí ele por volta dos 19, 20 anos. É mais um a refletir as angústias adolescentes, querendo ser original mas não passando de uma xerox dele próprio.
Já “Celibato” é um de meus poemas mais recentes, só publicado em meu blogue. Foi composto logo quando nos conhecemos, não? Ao ver uma foto sua. Gosto dele pela mistura que faz da sedução com o pecado.