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Depoimento da Fã Loba
Entre o rock, o pop e a Poesia, um Zumbi que escuta blues
Histórias de zumbis costumam ser de terror. Mas quando o zumbi é um poeta, a história começa pelas letras. E se este mesmo zumbi escuta blues, aí vira uma festa cultural.
Não sei se eu o descobri ou ele a mim. Sei que o seu blog que um ano atrás era lá no fim do caminho foi chegando cada vez mais perto do meu. Lembro que eu o lia e ficava encantada. Eu vinha de ler intensamente Leminski e Drummond, mas nada sabia de poesia a não ser o meu imenso gostar. Aquelas letras que lia no blog dele, diferentes da maioria, me atraiam.
Do poeta eu nada sabia e nem queria muito saber. Queria apenas ler e ler.
No início nosso contato era quase formal. Até que um dia fiz um texto a partir de um poema dele. Foi a primeira vez que eu coloquei em palavras o que a poesia dele me dizia. A partir daí,
comecei a admirar o poeta. Ainda com restrições porque ele me parecia arredio e pouco disposto a receber uma beija-flor literariamente leiga.
Com sua entrada na Toca da Loba - entrevistas, comecei a conhecer o homem, o jornalista, o pai, o marido, o amigo. Foi talvez o caminho mais comprido para conhecer alguém. Mas valeu a pena.
Neste um ano de conhecimento, tivemos várias trocas. Mas com certeza a grande vantagem esteve do meu lado. Com ele aprendi muito sobre poesia, poemas e poetas nos longos papos em curtíssimas e atropeladas tardes. Com ele viajei por mares literários e aprendi a ousar pelos mundos da poesia.
Aprendi também a conhecer o jornalista íntegro e consciente do seu papel de agente cultural num país tão rico na sua diversidade cultural e um povo tão carente de cultura. Acompanho sua luta pela difusão desta cultura, especialmente no que se refere à literatura e só posso admirá-lo ainda mais.
Enfim, gosto muito deste poeta. E a sintonia e afinidades que descobrimos ter só fizeram aumentar este gostar. Dá para não ser fã de alguém tão especial?
Mas sou mais do que fã. Sou uma admiradora do poeta, do jornalista e do ser humano Linaldo Guedes.
A fã Amanda e os poemas “Incômodo” e “Equívoco”
“Escolher entre os poemas do Linaldo um que mais goste não é tarefa fácil. Costumo dizer que não sei explicar, teorizar sobre o assunto, sei apenas sentir. E tem dois poemas do Linaldo, que me tocam profundamente, me traduzem em parte e porque não no todo!? Sim, são eles: o Incomodo e o Equivoco.”
Incômodo
ser o anjo torto
da família
não tira meu sono
incomoda apenas
não ter asas para voar.
Equívoco
um lápis
e um papel em branco
resumem o segredo de minha vida:
uma palmeira imperial
que cresceu
no século errado.
Palavras do poeta Linaldo Guedes :
Amanda, são dois poeminhas que mexem muito comigo e por coincidência encerram meu livro “Os zumbis também escutam blues”. O primeiro – Incômodo – foi escrito na época pós-adolescência. Reflete os conflitos familiares que a gente sempre tem por essa época, de querer questionar tudo e todos e de sempre se achar mais rebelde que os demais irmãos. E a falta de asas é uma queixa bem drummondiana. Quanto ao segundo – Equívoco – reflete uma frustração minha. Costumava dizer que queria ter nascido no início do século passado, época em que a literatura era mais valorizada, quando o cinema ainda estava ensaiando seus primeiros passos e a televisão nem se imaginava existir. Época da leitura e não do audiovisual. Aí, um dia, caminhando na Lagoa do Parque Solon de Lucena, em João Pessoa, numa fase difícil da minha vida (logo após a morte de meu pai), olhei para uma palmeira imperial que tem no local e acabei construindo este poema. Gosto muito dele e por isso o escolhi para encerrar o livro, resume bem o que sou e o que penso da vida.